Moda consciente: como proteger sua marca através de cuidados legais

No setor da moda, a cena é quase sempre a mesma: novos empreendedores queimam dinheiro com identidade visual, logotipo, embalagens e tráfego pago, mas quando o assunto é cuidados legais, tudo fica para um “depois” que nunca chega. E quando chega, já é tarde — a imitação já pegou, o fornecedor já vazou e o concorrente já copiou até o caimento da gola. É essencial planejar todas as etapas do negócio com antecedência. Nesse sentido, destacam-se os seguintes pontos principais:

1 — Pesquisa de Anterioridade no INPI e Pedido de Registro de Marca

Antes de qualquer investimento em logotipo, embalagens ou redes sociais, é imprescindível realizar uma pesquisa de anterioridade no banco de dados do INPI para verificar se o nome ou logotipo desejado já não pertence a terceiros, pois o Brasil adota o princípio da anterioridade (quem registra primeiro tem o direito), de modo que, se outra empresa depositar o pedido antes de você, poderá exigir judicialmente que você abandone o uso da marca, independentemente de já estar comercializando suas peças. Assim, após a consulta e confirmada a disponibilidade, o pedido de registro deve ser protocolado no INPI antes do lançamento comercial da coleção, com especial atenção à Classe 25 (vestuário, calçados e chapelaria).

2 — Registro de Desenho Industrial

Estampas, padrões repetitivos e modelagens tridimensionais inéditas podem ser protegidas como desenho industrial no INPI, mas é fundamental observar o prazo decadencial de 180 dias contados da primeira venda ou divulgação pública da peça (arts. 95 e 96 da Lei 9.279/96), pois, esgotado esse prazo sem o registro, o desenho cai em domínio público e qualquer concorrente poderá reproduzi-lo livremente, sem que você possa impedir. Para estampas simples, o INPI oferece um procedimento de registro simplificado, com menor custo e tramitação mais rápida, o que é especialmente útil para marcas iniciantes que lançam coleções com muitas variações estampadas e precisam de agilidade sem abrir mão da proteção jurídica.

3 — Licença de Uso de Tecidos de Terceiros

Ao lançar a primeira coleção, é comum que marcas iniciantes adquiram tecidos ou estampas já prontas de fornecedores (como estamparias digitais ou gráficas têxteis). Nesses casos, exige-se contrato de licença de uso que autorize expressamente a aplicação da estampa ou do padrão têxtil nas peças da marca, com delimitação de prazo, território, quantidade de peças e vedação de sublicenciamento. A ausência desse contrato expõe a marca a ação por violação de direito autoral ou de desenho industrial do fornecedor ou do criador original, podendo resultar em apreensão de mercadorias e indenização.

4 — Venda Online e Conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

A operação de e-commerce ou vendas por redes sociais exige a implementação de política de privacidade e a adoção de bases legais adequadas para o tratamento de dados pessoais (nome, CPF, e-mail, endereço e dados de pagamento), nos termos da Lei 13.709/18 (LGPD). O consentimento expresso do consumidor é obrigatório para finalidades como marketing direto e compartilhamento de dados com terceiros; para dados necessários à execução da compra, outras bases legais como o cumprimento de contrato ou obrigação legal já autorizam o tratamento.

4.1 — E o DPO? Como Funciona?

A lei também prevê a indicação de um encarregado Data Protection Officer (DPO), que pode ser o próprio empreendedor, um funcionário ou um terceiro contratado, sem exigência de exclusividade ou certificação específica. O DPO é dispensado em certos casos, por exemplo em empresas de pequeno porte, desde que mantenham um canal de comunicação para o titular de dados. O descumprimento da LGPD sujeita qualquer empresa — independentemente do porte — a advertências, multas diárias e sanções pecuniárias de até 2% do faturamento bruto do último exercício, limitadas a R$ 50 milhões por infração, conforme art. 52 da lei.

5 — Cláusula de Não Concorrência

Com o crescimento da marca e a contratação de estilistas, modelistas, gerentes ou sócios operacionais, recomenda-se a inclusão de cláusula de não concorrência nos contratos trabalhistas ou societários. Referida cláusula deve vedar, pelo prazo de 12 a 24 meses após o desligamento, o exercício de atividade concorrente em território determinado, mediante contrapartida indenizatória (valor mensal ou pagamento único), sob pena de nulidade por ausência de justa causa ou ofensa à liberdade de trabalho (art. 5º, XIII, CF). Sem a cláusula e a respectiva contraprestação, o ex-colaborador pode abrir marca concorrente imediatamente, utilizando o conhecimento adquirido na estrutura da sua empresa, salvo exceção prevista na própria lei de propriedade industrial.

6 — Quando a Concorrência Configura Crime?

Ressalvada expressa autorização, nos termos do art. 195, inciso XI (Lei nº 9.279/96), constitui crime de concorrência desleal: o uso de conhecimentos, informações ou dados confidenciais, utilizáveis na indústria, comércio ou prestação de serviços, ainda que esse especialista tenha tido acesso a eles em razão de relação contratual ou de emprego, mesmo após o término do vínculo. Com pena de detenção de até 1 ano.

Vale a Pena Correr Esses Riscos?

Abrir uma marca de moda sem observar esses seis pilares jurídicos é como desfilar com uma coleção inteira costurada com linha podre: o estrago pode não aparecer no primeiro instante, mas a ruptura virá no momento de maior tensão. Nenhum desses passos é opcional para quem quer sobreviver, sem apreensão de mercadorias e sem a experiência de ter que abandonar o próprio nome depois de todo o investimento. Planeje-se com antecedência, invista na proteção legal antes do lançamento! Por Yasmin Ferreira Bini.  .

 
Dúvidas sobre esse tema?
Se a situação abordada neste artigo pode impactar seu caso concreto, é recomendável uma análise jurídica específica.

Wellington dos Santos Oliveira

  • OAB-PR 89.302
  • Graduado em Direito UniBrasil
  • Pós-graduando em Direito Civil e Processo Civil pela Universidade Positivo
  • Especialista em Direito Eleitoral
  • Membro da Comissão de Direito Empresarial da OAB-PR
  • Membro da Comissão de Sucessões e Holding da OAB-PR

Patrícia Cristina Moreira

  • OAB-PR 112.303
  • Graduada em Direito PUC-PR
  • Mestranda em Direitos Fundamentais e Democracia pela UniBrasil
  • Conselheira da Sou Segura
  • Membro da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-PR
  • Membro da Comissão de Gestão e Empreendedorismo da OAB-PR

Patrick Pires de Lima Sikora

  • OAB-PR 113.722
  • Graduado em Direito FAE
  • Pós-graduando em Direito Tributário Empresarial na FAE
  • Membro da Comissão de Direito Imobiliário e da Construção da OAB-PR
  • Membro da Comissão de Direito do Trabalho da OAB-PR

Matheus Luiz de Oliveira Baby

  • OAB-PR 110.116
  • Graduado em Direito UniCuritiba
  • Pós-graduado em Direito Empresarial FGV
  • LL.M em Direito Empresarial pela FGV
  • Membro das Comissões de Direito Empresarial, Estudos sobre Compliance e Anticorrupção Empresarial e de Direito Securitário OAB-PR ( 2022-2024)
  • Membro da Comissão de Compliance e Governança Jurídica da OAB-PR
  • Membro da Comissão Inteligência Artificial da OAB-PR
  • Certificação Profissional em Proteção de Dados – CPPD – LEC/FGV

Eduardo Tourinho Gomes

  • OAB-PR 75.755
  • Graduado em Direito UP
  • Pós-graduado em Direito dos Seguros UP
  • Doutor e Mestre em Direitos Fundamentais e Democracia UniBrasil
  • Autor do livro O Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas sob a ótica da participação democrática e garantias dos direitos individuais Editora Dialética
  • Membro AIDA Brasil
  • Diretor Jurídico FPFA
  • Presidente da Comissão Estadual de Proteção e Direito dos Animais da OAB-PR
  • Secretário Adjunto da Comissão de Direito Securitário da OAB-PR
  • Membro do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP)

Igor Filus Ludkevitch

  • OAB-RJ 80.843, OAB-PR 25.612, OAB-SC 25.002 e OAB-RS 135.460
  • Graduado em Direito UCAM
  • Pós-graduado EMAP
  • Especialista em Direito Empresarial PUC-PR
  • Especialista em Direito do Seguro UFPR
  • Coautor do livro Direito do Consumo – 2 Juruá Editora
  • Membro AIDA Brasil
  • Membro das Comissões de Direito Cooperativo da OAB-PR e OAB-SC
  • Membro da Comissão de Direito Securitário da OAB-PR
  • Auditor do Tribunal Pleno de Justiça Desportiva FPFA
  • Membro do “IV Comitê Juntos Por Elas” da Sou Segura

Startups

Oferecemos soluções jurídicas mediante assessoria customizada e adaptada ao enfoque inovador de negócios envolvendo startups, dos mais diversos portes e segmentos, considerados todos os envolvidos (fundadores, investidores-anjo, fundos de venture capital e corporate ventures), as demandas e necessidades específicas decorrentes dos novos negócios de tecnologia e inovação.

Com modalidade diferenciada de honorários, completamente adaptáveis e flexíveis à realidade de cada empresa e investidor, atuamos em todos os aspectos jurídicos para a definição da estrutura societária mais adequada, na escolha do formato de captação de investimentos, do método de distribuição dos resultados aos sócios e investidores, na avaliação das questões trabalhistas, visando definir o melhor sistema de contratação de colaboradores, na elaboração de contratos que tragam mais segurança e previsibilidade na relação com fornecedores, parceiros e usuários e na adequação dos produtos e serviços à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Direito Veterinário & Animais

Veterinários e clínicas operam em um setor que cresce rápido e regula pouco — até que algo dá errado. Defendemos profissionais e estabelecimentos em processos de responsabilidade civil, procedimentos administrativos no CRMV, disputas contratuais e questões trabalhistas do setor pet.

 

Assessoramos também tutores e entidades de proteção animal em causas envolvendo guarda, maus-tratos e direitos dos animais.

Tributário

Carga tributária excessiva e autuações fiscais são dois dos maiores riscos financeiros para qualquer empresa. Defendemos nossos clientes em todos os contenciosos administrativos e judiciais — municipais, estaduais e federais —, cobrindo todos os tipos de tributos e contribuições, desde fiscalizações e autos de infração até negociações com o fisco.

Trabalho & Relações do Trabalho

Reclamações trabalhistas chegam sem aviso e podem travar a operação da empresa. Defendemos empregadores em processos individuais e coletivos, da fase de conciliação ao TST, em autuações da Superintendência Regional do Trabalho e em ações do Ministério Público do Trabalho, conduzindo cada etapa do litígio até o encerramento definitivo.

Além do contencioso, atuamos de forma preventiva: revisamos contratos, políticas internas e práticas de gestão de pessoas para reduzir a exposição a passivos trabalhistas antes que eles se tornem processos.

Negócios & Inovação

Contratos empresariais, acordos de sócios, parcerias e negociações do dia a dia — assessoramos empresas em todas as etapas da sua vida comercial, desde a formalização de relações de negócios até a estruturação de operações mais complexas, como fusões, aquisições, reorganizações societárias e a definição de regras de governança corporativa.

 

Atuamos também na defesa de fornecedores e empresas em demandas consumeristas, na proteção de ativos intangíveis (marcas, patentes, direitos autorais e contratos de licenciamento), no Direito Digital e na adequação à LGPD, com mapeamento de dados, políticas de privacidade e gestão de incidentes.

Patrimônio, Imóveis & Sucessões

Negócios imobiliários envolvem valores altos e riscos que nem sempre são visíveis na hora da decisão. Assessoramos clientes em compras, vendas, locações e incorporações, revisando contratos, identificando passivos ocultos e conduzindo negociações e disputas antes que virem litígios. Atuamos também em regularização de imóveis e processos de usucapião.

Além dos imóveis, atuamos na estruturação e proteção do patrimônio familiar — holdings, acordos entre herdeiros e planejamento sucessório —, ajudando a organizar a transmissão de bens com segurança e sem conflitos desnecessários.

Seguros

Atuação destacada através de um time de especialistas em todos os ramos de Seguros e Resseguros, incluindo planos de saúde, Previdência Privada, Capitalização, Odontologia e ressarcimentos.

Experiência e expertise em todos os tipos de litígios, em qualquer instância, administrativa e judicial, inclusive Tribunais Superiores, em Brasília; questões regulatórias, relativas à regulação de sinistros e envolvendo corretagem, nas mais diversas áreas abrangidas pelos seguros e resseguros, inclusive recuperação de créditos e ressarcimentos.

Esporte & Direito Desportivo

O direito desportivo tem regras próprias — contratos de atletas, direitos de imagem, transferências, patrocínio e disputas nos tribunais desportivos exigem um conhecimento que vai além do direito comum.

Assessoramos atletas, clubes, ligas, federações, patrocinadores e empresas que atuam ou querem investir no setor esportivo, tanto no contencioso judicial e desportivo quanto na estruturação de contratos e negócios do esporte.

Reestruturação, Crédito & Insolvência

Empresas em dificuldade financeira precisam de orientação rápida e estratégica — cada decisão tomada sob pressão pode agravar a situação ou abrir caminho para a recuperação. Assessoramos credores e devedores em processos de recuperação judicial e extrajudicial, reestruturação de passivos e situações de insolvência, além de atuar no contencioso bancário em disputas envolvendo financiamentos, contratos de crédito e operações estruturadas.

Atuamos também no acompanhamento regulatório de fintechs, meios de pagamento, open banking, e-banking e operações com criptoativos e blockchain — um setor em expansão que exige atenção constante às mudanças do Banco Central e da CVM.

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